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Meu lugar preferido no mundo: (a)mar, o mar

  • 30 de out. de 2017
  • 3 min de leitura

Você já se sentou em frente ao mar, ouvindo o barulho suave das ondas, quando um turbilhão de pensamentos te perturbava? Ou correu pra água salgada naquele dia que acordou com uma ressaca desgraçada? Eu não sei dizer ao certo quantos benefícios existem em um mergulho no mar, ou apenas em estar próximo a ele. Minha conexão é ainda maior por ter nascido filha de um surfista, que sempre me incentivou a não ter medo das ondas, me encorajou a ir até o fundo e me projetou dos perigos que o mar também oferece. Mas como não (a)mar ser energizada pela água salgada? O mar cura, limpa, lava a alma e cicatriza feridas.

Ele me remete lembranças, lugares, um oceano de recordações que me conectam ao outro lado do mundo. Mas nenhuma é mais especial com a lembrança que tenho com meu vô, em um dos nossos últimos momento juntos, perdidos em nossos pensamentos naquela imensidão azul.

Era um sábado a tarde na praia de Piçarras, e como sempre, lá estava ele... sentado em sua cadeira azul, na varanda em frente a praia, da casa que ele mesmo construiu. Após um longo período em silencio, anestesiado pela brisa contagiante do mar, me fez um pedido inusitado: ele queria sentar na praia, e reviver o sentimento de estar onde viveu seus melhores momentos da infância, com seus pais e seus irmãos nos longos verões daquela mesma praia. Mas ele já estava debilitado, por causa do Alzheimer, doença que tirou sua vida 2 meses depois desse fato. Então, de braços cruzados e muita força de vontade, descemos as escadas, ele descalço e sua careca já vermelha, reluzente ao sol. Mas eu podia sentir seu coração pulsar mais forte. Quando pisamos na areia, percebi seus grandes olhos azuis se comprimirem de dor, por causa da areia quente que queimava seus pés. Em um gesto cauteloso tirei meus chinelos e falei que só continuaríamos a caminhada se ele os vestisse. Ele, sempre muito teimoso, hesitou, mas não negou. Meu chinelo era cor de rosa, o que me faz lembrar com um sorriso largo aquele momento. Meu vô, com seus 80 e poucos anos, vestido com a sua mesma calça azul de tecido, camisa social branca e os chinelos cor de rosa, que por acaso se destacavam naquela areia branca e macia. Era a coisa mais fofa do mundo. A caminhada foi curta, logo sentamos em um pedaço de madeira que encontramos, e então ele silenciou por alguns minutos. Eu podia ver um filme passando na sua mente, que revivia historias do passado com muito mais facilidade que acontecimentos atuais. Então ele quebrou o silencio, e me contou dos caldos que levava, do barco que partilhava com seu irmão e do quanto tudo aquilo havia mudado desde seu nascimento. Seus olhos refletiam sua admiração pelo mar, mesmo já o tendo visto milhares de vezes. Nós estávamos conectados. Eu queria eternizar aquele momento, e consegui... sempre que estou naquele mesmo local, posso senti-lo comigo, com aquele sorriso leve,fácil, que só ele tinha.

Estar em sintonia com o mar é um espécie de refugio. Seja em momentos tristes, de dor ou alegria. Não há nada mais revigorante que um banho de mar, nem nada mais lindo que o oceano que nos conecta com o resto do mundo. Feliz daquele que tem a oportunidade de usufruir dos benefícios do mar, de quem já viu a lua refletindo nas águas salgadas e de quem consegue ouvir nas ondas do mar, sinfonia.

 
 
 

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