Novas Formas de Comunicação: Hashtag
- 6 de nov. de 2017
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Não sei se é preguiça, pressa ou falta de imaginação, ou ainda de vocabulário. As redes sociais estão cheias de palavras soltas e desconectas precedidas de um sustenido, normalmente como legenda de uma imagem cheia de filtros. Entendo que a hashtag tem a sua utilidade, é uma ferramenta poderosa quando se quer aumentar o reconhecimento da marca ou o número de seguidores, funcionando ainda como um filtro de pesquisa e facilitando a busca de um assunto específico.
O que me intriga, porém, é a falta de frases elaboradas, as quais necessitam necessariamente de conexão, coesão, pontuação e também de conteúdo. Os emojis expressam nossas emoções, e a máxima de que “uma imagem vale mais que mil palavras” parece ser o lema virtual. A rapidez com que os usuários pretendem registrar os seus momentos na rede, os fazem atropelar a correta escrita de cada palavra, fazendo com que o combo “cerquilha mais vocábulo solitário” inunde as telas digitais.
A impressão que se tem é que o percentual de pessoas que sabe redigir uma elocução completa vem diminuindo, e o decréscimo é progressivo quando falamos de parágrafos e textos inteiros, e um bom exemplo disso são as notas da redação do Enem. Fotografias, imagens e ilustrações são de fato formas válidas e interessantíssimas de nos expressarmos, só não podem ser as únicas. Escrever, talvez, exija maior esforço, requer contato com o nosso poder de coerência e capacidade de raciocínio lógico. É preciso vasculhar nosso baú de expressões e relembrar as aulas de português e gramática da época escolar. Dependendo do teor do texto, ainda se tem que entrar em contato com a imaginação, mergulhar na mente e permitir a divagação em um universo qualquer.
Sei que hoje a informação rápida, clara e objetiva é a mais procurada, e ela é realmente útil e necessária. Um texto longo pode parecer demasiado desestimulante, mas nada carrega a mágica, a preciosidade e o valor de palavras encarrilhadas, onde juntas informam, ensinam e até mesmo nos transportam para outros lugares. Quem escreve proporciona uma oportunidade de transmitir uma ideia aos outros, quem lê tem a chance de incrementar seu conteúdo.
Não sou contra hashtags, inclusive as utilizo, mas como tudo na vida, nada em excesso faz bem. Sinto, no entanto, que as mesmas são superficiais, lhes falta profundidade. De jogo da velha prefiro mesmo é marcar bola ou xis e ver quem ganha a partida.


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