Nutrição - Novos Tempos: Detox
- 16 de nov. de 2017
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Sim, a moda é o detox: desintoxicar o organismo que (in)conscientemente envenenamos a todo momento. Seja pelo brigadeiro gourmet estrategicamente posicionado ao lado da maquininha de cartão, ou pela feijoada regada a caipirinhas que o compadre preparou para comemorar o aniversário. E para limpar essa sujeira toda nos embebedamos de suco verde, sopa com gengibre, água com limão, receitas da Bela Gil; dizemos não ao glúten e à lactose, sim aos chás com efeitos laxativos, segunda sem carne, terça sem gordura... até o próximo convite para o happy hour.
Certo estava quem disse que nós somos o que comemos. Limitados somos nós ao pensarmos que alimento é só o que colocamos na boca. É muito mais que isso. O corpo e a mente são nutridos a todo momento por tudo o que os cerca, pelos cinco sentidos. Paladar é um deles, não o único. Alimentamos também a visão, a audição, o tato e o olfato. Pensamentos, atos, visões e ações são consequências de todos os itens que colocamos em nossa cesta nada básica.
Em meio ao bombardeio de receitas saudáveis, raramente fazemos uma vistoria no que estamos vendo, ouvindo, proferindo e sentindo. Talvez aquele programa de auditório sensacionalista de domingo ou aquela série demasiadamente violenta sejam mais nocivos que o buffet livre de massas no melhor restaurante italiano da cidade. A música que malandramente faz você balançar o tronco enquanto dirige pode ser muito mais venenosa que a pipoca inundada de corante e sódio combinada com o refrigerante grande no cinema de quarta. Pronunciar palavras odiosas ao engolir uma folha de rúcula com nozes ao azeite de ervas não faz de você uma pessoa light. E o toque? A pele é o maior órgão do corpo humano e como cuidamos dela? Protetor solar, hidratante e óleo de coco não bastam. Há abraço fraternal? Você segura a mão de uma criança para lhe proporcionar segurança? O lábio que toca o umbigo provoca arrepios?
Afinal, ir ao supermercado e colocar no carrinho açúcar demerara ao invés do branco, arroz integral ao parboilizado, é relativamente fácil. Sentir os efeitos do excesso de comida e bebida do dia anterior é visivelmente simples. No entanto, identificar que a noite mal dormida é consequência dos vídeos recebidos pelo whatsapp assistidos até quase uma da manhã, é mais complicado. Perceber que a ansiedade no ambiente de trabalho pode ser resultado das inúmeras notícias lidas rapidamente em diagonal no facebook, não é algo prontamente diagnosticado.
Não temos controle sobre tudo, talvez de quase nada, mas temos escolha do que vamos assistir hoje à noite, do que vamos colocar na nossa playlist, do menu do jantar ao chegar em casa, do perfume a ser utilizado para ir ao shopping, das atividades a serem realizadas em nosso tempo livre. O verdadeiro detox é muito mais amplo e profundo que uma semana de dieta líquida, o autêntico detox requer revisão de hábitos e atualização de rotina. O legítimo detox promove a oportunidade de visitarmos a turbulência de nossa mente insana.


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