Religião: o amor que transforma
- 23 de nov. de 2017
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Sempre me questionei sobre o real papel da religião na vida das pessoas. E não estou me referindo a Deus, mas sim as culturas e crenças que caracterizam diferentes religiões. Sei de sua importância para a humanidade, embora acredite que exista um mesmo Deus para todos nós. Mas meus pais nunca me indicaram um caminho que não fosse o do bem, me deixando livre para crer naquilo que eu quisesse. Então tudo o que sei hoje é sobre o que eu li, estudei e vivenciei. Alegrias e tristezas. Duvidas e muitas certezas.
Nasci em uma família unida pelo amor e distante por suas diferentes crenças. Mas isso nunca foi um problema pra mim. Ainda pequena, era privilegiada por ter avós de diferentes religiões, mas que partilhavam do mesmo amor. Os estudos da bíblia na casa Vó Sara eram um evento pra mim. Eu me preparava para aquele momento, lia o livrinho amarelo com histórias reais contadas de forma lúdica, assistia aos filmes bíblicos e ouvia histórias lindas que me conectavam com Deus. Toda noite, antes de dormir, a oração era repetida algumas vezes até que fosse feita de coração. E foi assim que conheci Jeová, religião predominante por minha família materna até hoje. Embora minha vó tenha tido uma importante influência na minha relação com Deus, e em tudo que aprendi a respeito, ela faleceu há muitos anos, e eu era muito pequena ainda para tomar decisões a respeito. Que religião seguir? Será que Deus existe mesmo? Por que ele levou minha vó? Por que ela sofreu tanto? O que está acontecendo no mundo? Mas eu nunca deixei de rezar. Nem de acreditar. Eu estava certa de tudo que aprendera. Participei de muitos congressos com minha tia Laura. Era uma alegria conhecer tantas pessoas especiais e com tanta determinação neste caminho dedicado à Jeova. Por outro lado, a magia do natal, as reuniões de família no ano novo, a felicidade de celebrar mais um ano de vida com pessoas queridas, eram caraterísticas marcantes dos meus avós paternos, católicos. Mas as diferenças eram invisíveis aos olhos, quando você percebe que, no fundo, a religião é símbolo de amor. Da prosperidade. Pelo menos, deveria ser. Pensava assim até que essa diferença despedaçou meu coração. A mesmo religião que me ensinou a respeitar as diferenças, levou um grande amor justamente por sermos de diferentes. E então voltei à estaca zero. Pensei: a mesma religião que prega o amor ao próximo, proíbe que duas pessoas fiquem juntas? Não que eu tenha deixado de acreditar em Deus, mas eu passei a reavaliar tudo o que eu julgava ser certo. E a verdade é que não existe certo, nem errado. Existe o bem e o mal. E existem as pessoas que, através de suas crenças, mudam o mundo. Enquanto outras se dedicam em acabar com ele. Mas eu sei que Deus está entre nós, dentro do coração de cada um. Porque eu ainda prefiro acreditar que o amor transforma, transborda e tem o poder de mudar o mundo. Quanto mais amor transmitirmos, mais coisas boas a vida nos retorna. Meu desejo é que a religião una os povos ao invés de afastá-los, e que o amor prevaleça sempre.


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