Tema livre: No silencio de minha mente barulhenta
- 30 de nov. de 2017
- 3 min de leitura
Esses dias eu estava sentada no sofá, com a TV ligada, o celular na mão e meu pai ao lado tagarelando coisas aleatórias. Por alguns segundos percebi que, na verdade, eu não estava prestando atenção em nenhuma das coisas ao meu redor, pois estava ocupada demais mergulhada na imensidão de meus pensamentos. As vezes acho que em minha mente habitam Minions, aqueles bonecos fofos do filme “Meu malvado favorito”, e que eles fabricam aquele monte de coisas que passam pela minha cabeça todos os dias. Não é possível que eu consiga fazer aquilo sozinha. Crio roteiros de filmes em minutos, ressuscito histórias de anos atrás e ainda sinto meu coração se retorcer pelas lembranças, odeio muito uma pessoa e uma hora depois estou fazendo planos com ela... e quando lembro de tudo que eu queria ter falado em uma discussão perdida? Quero me esganar. Tenho certeza que enquanto alguns Minions se dedicam em fazer o bem, outros se unem em grupos e confabulam as mais loucas historias, deixando minha mente um turbilhão em guerra.
Esqueça tudo aquilo que aprendeu nas aulas de biologia (eu não preciso porque não lembro mesmo) e ignore a medicina. Agora, vamos ser práticos: o que é nossa mente? Se não uma fábrica de ideias? Pensamentos? Suposições? Em plena era digital ainda não criamos um mecanismo de organização dentro de nossa cabeça, separando pastas: trabalho, família, amor, finanças, amigos, desapego, lembranças, imagens, vídeos, histórias. E só precisamos ativar o que realmente precisa, naquele momento. Lutamos todos os dias contra monstros que nós mesmos criamos, e esquecemos que nós podemos mata-los rapidamente. Não existe uma ordem expressa sobre o que é realmente relevante pensar em determinados momentos. O processo é complexo até a tomada de decisão. E pode acarretar milhões de outros pensamentos, como o arrependimento de algo não dito ou o alívio de uma amizade refeita. São tantas as possibilidades. Não entendo como tantas ideias podem caber em um espaço tão pequeno. E quando soldados lutam contra pensamentos vazios? Pois é assim que sinto quando estou tendo pensamentos ruins, minha cabeça pesa, meu coração dispara, meu estômago se remexe em uma batida frenética e eu imploro que parem. Aquela famosa guerra da “emoção” contra a “razão”. Mas aí você para, respira, ativa seus Minions fofos e deixa que a estrada te leve para algum caminho. Nem tudo que pensamos é verdade absoluta e nem tudo que desejamos é o que realmente precisamos. Conforme vamos ficando mais velhos, percebemos que tudo é consequência de nossas escolhas, e que se não ouvirmos nossos pensamentos nem nosso coração, seguiremos por um caminho árduo e sem volta, pois vamos seguir caminhos trilhados pelos pensamentos de outros. Deixe sua mente fluir de forma que você não precise chegar a uma guerra, pois existem muitos caminhos de paz dentro de nós. Conecte seu coração e sua mente, deixe seus pensamentos devanearem sobre sua vida, suas ideias borbulharem em sua cabeça, mas nunca deixe de ouvir o que você tem a dizer. Diga. E repita se for preciso. Não se cale diante de situações mal resolvidas, mesmo que isso lhe custe dezenas de pensamentos a menos. Deixe seus Minions trabalharem em grande produção, deixe que se zanguem, que te manipulem, mas deixe que te conduzam, e que nunca se calem.


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